terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Quem sou eu?

Quem sou eu?

De cristal me fiz muralha
De brisa fui furacão
Da chuva fina me tornei tempestade
No meu sorriso, escondi minha solidão
Na minha valentia o meu medo,
Fingindo-me de forte pra não admitir minhas fraquezas.
Queria ser gigante, mas sou pequena...
Pequena como grãos de areia.
Me perco como fumaça no céu, cada vez que esqueço do que me fiz e olho para quem eu sou...




Chuva. Sol. Dois estados de espírito diferentes. Opostos.
A chuva chega de mansinho. Acalma, mas faz doer. Lembra-nos que o tempo corre veloz, que o relógio não pára. O seu tique-taque constante marca a vida, sempre ao mesmo ritmo. Os ponteiros dão voltas, sem se importar se estamos bem ou não.
Contudo, nada parece acontecer lentamente. Nada exceto um estado de espírito, a tristeza. Quando o nosso mundo desaba mesmo à frente dos nossos olhos, o tempo parece que faz de propósito, parece que avança cada vez mais lento. A mágoa vai-se instalando, devagarinho. Vai envolvendo cada um dos sentidos, pisando cada vez mais lento, o coração, o peito e a mente. É por isso que dói devagar, e devagar é a pior e mais dolorosa maneira de doer. Nessas alturas nada nem ninguém conforta a dor e elimina as dúvidas. O mundo acabou e o chão cede. Não é impossível recomeçar. Fugir, pois fugir é o caminho mais óbvio. Fugir dos outros, fugir de nós mesmos. O espelho devolve-nos uma imagem distorcida, deformada. Somos prisioneiros, de pés e mãos atadas, da mágoa, da tristeza. A alma está acorrentada ao tempo. E se o tempo dói devagar, as correntes ferem-nos, pesam, magoam, tentam impedir-nos de voar contra o vento. Voar contra algo nunca é a saída mais fácil…
Espero então que o sol volte a brilhar, que os ponteiros corram mais velozes e que as correntes me soltem. Quero voltar a voar, sem dúvidas, sem medos, sem tristezas. Perfeito era acontecer o impossível, eu levantar voo e nunca mais ser ferida, nem cair de novo.


-11/10/2009

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