Fui eu que programei tudo. Providenciei os mais poderosos explosivos para que eu pudesse construir essa efêmera obra-prima que habita meu quarto nessas estranhamente frias noites de verão. E o quanto mais próximo esses números aproximam-se do zero, menos preocupação eu tenho em puxar o fio verde. Eu olho já sem apego para as paredes, os móveis, os livros e as memórias que me mantiveram por muitos meses longe dessa sensação de explosão iminente. Que queimem. Que virem cinzas.
A bomba relógio está ligada, e eu não me importo mais com a explosão, contanto que eu esteja aqui para sentir o mergulhar dos teus estilhaços na minha pele. Eu sou a bomba relógio.
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